Retirei este texto do site da ANAFRE (Associação Nacional de Freguesias) que poderá consultar aqui:

Os moradores de Minde, no entanto, ou por falta de devoção a uma imagem que só possuíam pintada, ou por não apreciarem grandemente o título da sua padroeira, ou por qualquer outra razão que actualmente escapa ao conhecimento, pretendiam substituí-la por outra. Este descontentamento terá sido relatado a frei Hilário de Nossa Senhora da Assunção, natural de Minde e este prometeu tudo fazer para atender às suas pretensões. Em 1547 Minde tinha já por orago, exactamente, Nossa Senhora da Assunção. A terceira invasão francesa, sob o comando do general Massena deixou marcas irremediáveis na região como a destruição da ponte do Alviela e Minde não escapou à regra, com a destruição dos registos da paróquia de Minde. Na tentativa de escapar à fúria das tropas francesas os habitantes de Minde buscaram refúgio no Regatinho, um canal subterrâneo por onde no Inverno corre a água que enche o polje de Minde.
Foi em ligação à actividade de produção e venda de mantas de terra em terra pelos frades ou por quaisquer outros indivíduos ligados à lã, à criação de gado, à cardação, à tecelagem ou à venda destes artefactos que surgiu o “calão minderico” ou “piação de charales”, que mais não é do que agarrar em elementos vocabulares do português da região e deslocá-lo dos seus significados comuns, no propósito de criar uma língua secreta que permitisse a autodefesa do grupo. Este calão mantém-se ainda vivo.

A lã para o fabrico dos lanifícios vinha de fora de Castanheira de Pêra e da Covilhã. O fabrico de mantas foi, no entanto, a produção que mais celebrizou Minde, o seu modelo foi buscado no Alentejo (Reguengos), depois de terem fabricado mantas de trapos tipo mescla e tipo preto e branco. Foram os pequenos industriais e as suas famílias os inovadores e os obreiros das mantas de Minde. Uma das maiores riquezas de Minde é a sua etnografia que apresenta uma variedade e complexidade tal que só pode ser sinónimo de uma intensa e longa vida comunitária, que rege todos os actos da vida dos naturais, do nascimento até à morte, no labor diário e nas festas, na religiosidade e até num certo paganismo que transparece em certos usos, certificando as suas remotas origens.

No Largo da Capela de Santo António situa-se a Casa dos Açores datada de 1926, filia nas ideias de Raúl Lino e possui um excelente painel de azulejo. A Escola Primária obra de 1902, projectada por Adães Bermudes é recordada num painel de azulejo.
A Casa Amarela de 1924 é um edifício neogótico, com varandas em ferro forjado, painel de azulejos de Dalia Pena descreve a Feira de Sant’Ana, o forro de azulejos é de Rafael Bordalo Pinheiro. O coreto de 1933 com a sua cobertura de ferro funciona em Minde como uma recordação e como um toque da vida cultural e associativa desta vila enquanto está inactivo o Museu Roque Gameiro. Excelente peça artística, está decorado com painéis de azulejo de J. Santos, sobrinho de Roque Gameiro.
Em Minde realiza-se anualmente em Junho a tradicional feira de Sant’Ana, monstruária das actividades económicas da freguesia; escreve-se também um jornal o “Jornal de Minde” e trabalha-se no sentido de dignificar o espólio do pintor Roque Gameiro, actualmente à guarda da junta de freguesia. Minde soube ainda encontrar saída para as dificuldades que a indústria tradicional de lanifícios, uma das suas maiores fontes de riqueza, enfrentava tornando-se um dos pólos nacionais mais activos.

Não sei qual o autor do texto, mas a rede aperta-se...

Alguns projectos executados pelo Arq. Raul Lino
PS: Ilustrações de responsabilidade de PM
2 comentários:
Pedro, Afinal a Casa Amarela é a que existe em frente da casa do teu pai ou é a da praça velha?
"A Casa Amarela de 1924 é um edifício neogótico, com varandas em ferro forjado, painel de azulejos de Dalia Pena descreve a Feira de Sant’Ana."
Cada vez fico mais confuso e intrigado com esta Casa Amarela.
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