10 fevereiro, 2008

Museu do Curtume - contradições

Blog PSD ALCANENA (06 Fev):

É do conhecimento geral que as obras de construção do Museu de curtume já iniciaram, no passado dia 7 de Janeiro, estando os trabalhos no valor de 1 milhão e 650 mil euros, a cargo da empresa Lena Construções, devendo estes estar concluídos até ao final de Setembro de 2008.Neste âmbito, procedeu-se à demolição dos antigos celeiros da EPAC, a fim de se iniciar a construção do edifício que se constituirá no Museu do Curtume.

Várias foram as perguntas colocadas em sede de executivo camarário pela vereadora do PSD, assim como numa reunião agendada para o efeito pelo Sr. Vice Presidente, onde estiveram presentes, os técnicos responsáveis pela obra, os Senhores vice-presidente e chefe de gabinete e os três vereadores da oposição.Ficámos, desta forma, a saber que:

- o museu será composto por dois andares, nos quais haverá zonas de exposição permanentes e temporárias, pondo em evidência os processos e métodos utilizados desde o século XVIII nas actividades de curtumes; módulos multimédia; auditório que funcionará como centro educativo; espaço a dinamizar pelo CTIC, entre outros.
- a verba orçada apenas diz respeito à construção do edifício;- não existe orçamento quanto aos restantes custos: recuperação de máquinas; equipamento diverso; módulos multimédia, tendo sido afirmado que a recuperação de cada máquina rondaria os 10 000 euros.

Perante esta informação ou falta dela, a vereadora do PSD questionou de novo o executivo, na reunião de 28 de Janeiro, nomeadamente sobre:- de acordo com os documentos disponíveis no site do Plano Operacional da Cultura http://poc.min-cultura.pt/ , o total do investimento do Museu do Curtume é de 1.874,26 €, sendo apenas 54% elegível (1.012.014,14), não se sabendo até à data, se o município irá, de facto, receber essa percentagem, dado que ainda continua na 3ª posição em overbooking.

Neste sentido, caberá à câmara custear os restantes 46%, isto é, 862,224,586€, ou a totalidade da obra.- do conhecimento que obtivemos do projecto, ficámos com a certeza de tratar-se de uma obra megalómana e que a autarquia ao contrário do que tinha afirmado anteriormente, se lançou “sem rede”, isto é, sem ter garantido o seu financiamento;

De acordo com as condições gerais de aprovação do POC, (Programa a que o município se candidatou) existem regras que o município tem que cumprir para obtenção do financiamento, a saber (entre outras):
- Garantia que o projecto tenha início material no prazo de 6 meses, devendo o projecto de contratação encontrar-se na fase de adjudicação;
- Demonstração da viabilidade económico-financeira do projecto;
- Demonstração da viabilidade económico-financeira da manutenção e reposição do projecto.

Neste âmbito, a vereadora do PSD solicitou os seguintes documentos:
- Estudo de viabilidade económico-financeira do projecto;
- Estudo da sustentabilidade económico-financeira do projecto quanto às condições de manutenção e reposição.

A resposta não podia ser mais surpreendente, na medida em que o Senhor Presidente afirmou: desconhecer essas condições de aprovação; não possuir tais documentos, pois ainda não lhe tinham sido solicitados; que os estudos de viabilidade económica dizem aquilo que nós queremos que eles digam…

Mais uma vez e à semelhança do que aconteceu com projectos, como o Hotel, o Centro de Ciência Viva, a autarquia continua a assumir despesas cuja real proporção desconhece, nem se preocupando em estudar formas de rentabilizar estas despesas megalómanas em reais investimentos que revertam a favor do desenvolvimento do concelho.

Mais uma vez, assistimos à falta de visão de um executivo que se contraria sistematicamente, cuja gestão económica danosa prejudica o presente eo futuro do concelho.

O PSD de Alcanena :
- não põe em causa a pertinência do perpetuar da identidade do concelho personificada parcialmente neste projecto;
- lamenta, sim, esta atitude do executivo e reafirma que todos os investimentos projectados e sustentados em projectos de viabilidade económica-financeira que permitam agregar investimentos das forças vivas do concelho e/ou fora deste podem ser mais valias para o desenvolvimento do município;
- só reconhece a valia de um projecto desta natureza, quando alicerçado em todos os pressupostos que devem suportar investimentos desta índole.


Retirado do blog: http://www.psdalcanena.blogspot.com/ com assinatura de Ana Cláudia Coelho, Vereadora do PSD. O rearranjo do texto e destaques são da nossa responsabilidade.

COMENTÁRIO: como é possível? A ser verdade o que a Sra. Vereadora diz, um mínimo de quase um milhão de euros (fora os tais outros custos relativos ao recheio) vão ser suportados
pela Câmara num Museu megalómano.

6 comentários:

Anónimo disse...

Informações de última hora:

1 - Este museu vai ser feito com a verba que sobra da zona industrial de Minde que se vai ficar pelos 16 lotes..

2 - Parece que Luís Azevedo reservou a verba de um dos lotes para fazer a pista de parapente no alto do contraforte da serra dos candeeiros.

3 - vai haver listas de candidatos á camara formadas só por mindricos a viver fora da freguesia. O processo está em marcha capitaneado por alguém que se encontra no norte de Portugal. Consta que as recusas têm sido muitas.

Anónimo disse...

E eu a pensar que alguém que está a viver no casal grande é que andava com esse desiderato...

pm disse...

Ainda bem que alguém da oposição nos vai dando uns tópicos sobre os projectos secretos da CMA.
Bem haja por isso Dra. Ana Claudia!

É preciso lata para se fazer uma obra com estes custos, e não haver um desenho, uma descrição, uma maqueta, Nada.
Tirando o que vem escrito nalgumas actas, a CMA ainda não revelou ao Concelho nada, mas mesmo nada, sobre este Museu do Curtume e o Projecto Alcanena 2013.
Só mesmo neste concelho!

Faço votos para que me engane, mas vai haver aqui pano para mangas de verdadeiras histórias até esta obra estar concluída.
Alguém meteu na cabeça que este museu ter de ser construído neste mandato, e mesmo sem condições financeiras para tal, vai avançando e depois logo se vê.

Mais dívida, menos dívida, o Museu é que tem de ser o emblema das próximas eleições.
E o que é que nós cidadãos podemos fazer? Pouco.
Eles é que sabem, querem, podem e mandam. Nós só temos de aplaudir com uma bandeirinha amarela na mão.

Do mal, o menos.
Antes gastá-lo assim do que em viagens para Cabo Verde.

Anónimo disse...

Oh Pedro, se fossem só as viagens para Cabo Verde!
Há coisas que se passam hoje, quer na política regional, quer na Nacional, que eu imaginava só serem possíveis num filme policial de classe B!
É um fartar vilanagem, é uma pouca vergonha!
O que me admira mais no meio disto tudo é que há eleitos autárquicos, por quem tenho amizade e respeito, que continuam mudos e quedos!
1.650.000,00 Euros, sem contar com as derrapagens,dos quais temos que pagar na melhor das hipóteses mais de 860.000,oo Euros, para uma obra faraónica que não vai acrescentar nada ao Concelho e que só serve para aumentar a auto estima de alguns autarcazecos de meia tigela!
Hove algum estudo prévio para assegurar o financiamento e a rentabilidade de um investimento desta magnitude?
Claro que as respostas dadas à Vereadora da oposição só revelam a falta de preparação do executivo camarário e respectivos assessores!
Como classificar a resposta do Presidente quando diz " desconhecer essas condições de aprovação, não possuir estudos de viabilidade e dizer que os estudos dizem aquilo que queremos"?
Mas o que é isto?
E estes "senhores" não vão ser chamados a assumir as suas responsabilidades?
A grande maioria da classe política, nacional e regional, actua impunemente, com total despudor e sem qualquer sentido ético!
Os nossos autarcas sabem qual o verdadeiro significado de fazer política?
Claro que não!
Por isso vivemos numa verdadeira cleptocracia, isto é, um estado (câmara) governado por ladrões e oportunistas!

minderica disse...

Que a classe politica deste pais está cheia de maçãs podres e de muitos tachos todo o pobre português já sabe....até aí nada de novo.
Acho um disparate pegado ir-se gastar uma fortuna dessas num projecto que não é uma má ideia, mas que não pode ser uma prioridade.Vivemos num concelho que nada tem a oferecer em termos de perspectivas de futuro aos jovens e aos menos jovens. No que toca a minde cada vez estamos mais pobres,com menos esperanças no futuro....Tenho a certeza que esse dinheiro podia ser muito mais bem empregue.
E já que falamos de projectos não muito proiritários, pedia que me esclarecessem em relação ao Museu Roque Gameiro e as condições e os custos que tal obra vai ter para a CMA (isto se esta tiver alguma participação no dito museu).Peço este esclarecimento porque realmente não faço ideia e antes de falar gostaria de saber do que falo.

pm disse...

Cara Minderica,
Trancrevo o texto de um post publicado em 19 Set 2007

http://minde-online.blogspot.com/2007/09/de-volta-ao-tema-dos-museus.html


"O Museu da Pele / Curtumes começou por ter uma avaliação prévia de 1 556 500 euros e foi adjudicado por 1 650 000 euros.
O Museu da Aguarela / Roque Gameiro teve um custo estimativo inicial de 500 000 euros, foi a concurso público com o valor de 397 476 euros e acabou por ser adjudicado por 240 000 euros." (PM em 30 AGO 07)"