19 setembro, 2007

De volta ao tema dos Museus

"O Museu da Pele / Curtumes começou por ter uma avaliação prévia de 1 556 500 euros e foi adjudicado por 1 650 000 euros.
O Museu da Aguarela / Roque Gameiro teve um custo estimativo inicial de 500 000 euros, foi a concurso público com o valor de 397 476 euros e acabou por ser adjudicado por 240 000 euros." (PM em 30 AGO 07)



Independentemente da possibilidade de apoio financeiro govenamental, ambas as obras tiveram de ser adjudicadas até 30 Jun 2007, e terão de ser concluídas até 30 Set 2008. São estas as condicionantes da candidatura a que a CMA se sujeitou, e foi isto que os responsáveis afirmaram e garantiram em reunião de câmara. Bem ou mal, logo se vê.

O certo, segundo a CMA, é que a obra do Museu da Aguarela em Minde foi adjudicada a uma empresa de Tomar pela quantia de 240 000 euros.
Deduzo (porque ainda não vi explicado em lado nenhum), que este designado Museu da Aguarela se refere ao restauro da Casa Açores.

Se bem se lembram, há um par de anos, só a recuperação do telhado custou a "módica" quantia de 125 000 euros, como atestava o placar à entrada da obra. Ou seja, mais de 150 contos/m2, e nem chegou para restaurar o beirado da entrada.



Das duas uma: ou a obra do telhado foi muito cara, ou, agora, a "construção do museu" (como é apelidada) é muito barata.
Recuperar fachadas, reforma de interiores, infraestruturas, carpintarias, caixilharias, escadas, electricidade, WCs, redes de àguas/esgotos, rebocos, pinturas, instalações especiais, etc., etc., (sem falar nos arranjos exteriores) irá custar menos do dobro do que custou o telhado.
Será isto possível ?
Em meu entender não. Para mim, existe aqui muita coisa que não bate nada certo. Há aqui gato escondido com rabo (e grande) de fora.


Sobre o Museu da Pele, em Alcanena, o mesmo foi adjudicado à empresa Lena Construções pelo valor de 1 650 000 euros. Mas existe um pormenor muito importante: esta empreitada engloba o projecto de concepção e construção do edifício. in O Mirante »»

Desconheço como estas empreitadas são adjudicadas, mas também não entendo como se pode pôr a concurso uma obra cujo projecto ainda vai ser elaborado pelo constructor.
Não acho que o sistema seja muito ético e transparente. Será que é o empreiteiro que irá elaborar o projecto e o caderno de encargos á sua vontade de modo a "caber" no orçamento? Funciona-se no esquema da confiança mútua? Hum... !!
Também, em meu entender, existe aqui algo que não bate muito certo.
Talvez seja eu que não preceba nada disto e esteja a ver mal as coisas !! Talvez...

8 comentários:

Vítor Manuel Coelho da Silva disse...

Perguntas e observações muito pertinentes. Mas, ó Pedro, nem tu nem eu percebemos nada de obras. Eu, então, como sabes, de Museus nem cheiro ;-)

Temos que perguntar ao Sr. Engº Meneses ,,, ele deverá saber explicar tudinho tim tim por tim.

Não é por nada, mas penso que a Drª Maria da Graça Roque Gameiro, conservadora do Museu Roque Gameiro aberto em 1970, não se deixaria "enrolar" pelo Sr. Engº Azevedo desta maneira.

O que escreveu há tempos no Jornal de Minde demonstra que tem outra "raça", que não tem a Drª Maria Alzira.

Mas cada qual faz a figura que entende. Pena é que quem paga esta incompetência, parolice e estupidez é o Mestre Roque Gameiro e os restantes Pintores e Escultores de Minde.

E, segundo parece, nem vergonha na cara têm!!! (os directores do Caorg).

De um projecto gigante há 15/20 anos no Curral da Pia, passsam para uma casota sem condições para ser Museu. Conforme disse, e bem, um dos especialistas que apoiam o Caorg.

É preciso ter lata!

E a lata é tanta que querem enfiar um edifício no Largo das Eiras, contra a vontade dos Mindericos.

Muita lata e falta de vergonha, Drª Maria Alzira!

Vítor Manuel Coelho da Silva

ze ignorante disse...

O que é que a Dra Maria Alzira tem a ver com as obras da câmara ?

pm disse...

Também acho que a Drª Maria Alzira tem pouco a ver com este assunto, pelo menos directamente.

Estas são obras camarárias, conforme o Engº Azevedo salientou na tal reunião em que se "azedou" com a Srª Vereadora Aceisseira, e, pelo que julgo saber, a Casa Açores ainda pertence à CMA.

Não pretendo ser advogado de defesa de ninguém, mas quem adjudica as obras no concelho não é a direcção do CAORG. (julgo eu)

Independentemente da utilização que se venha a dar à Casa Açores, importante é que se faça alguma coisa para que o edifício seja restaurado.

Minderico disse...

Bom dia

Não sabem ler o que escrevo? Nomeadamente logo que se soube que a Câmara tinha candidatado a reconstrução da Casa Açores a fundos do Ministério da Cultura?

É óbvio que a Casa Açores tem de ser recuperada o mais depressa possível. Sempre tal defendemos. E também defendi várias vezes que do mal o menos. Enquanto não se fizer um Museu Roque Gameiro a sério deverá ficar na Casa Açores. Até referi que o mais importante para já era trazer o espólio do Mestre definitivamente para Minde.

Mas, caros amigos, quem é que defende que ali deve ficar o pequeno Museu de Aguarela??

Vocês acham bem?

E também acham bem que este dito Museu da Aguarela seja acompanhado por um prédio no Largo das Eiras?

Andamos a brincar? Quem anda a brincar? Quem deixa que a Câmara ande a brincar?

Afinal, Pedro, não eras tu que defendias, TAMBÉM que tudo devia ficar dentro do recinto da Casa Açores?

Meus caros amigos, como muitos outros Mindericos, sinto-me gozado com esta palhaçada em que se transformou este assunto das sedes e do Museu do Mestre.

Basta o segredo com que isto tem sido tratado, para considerar uma falta de respeito grave contra todos os Mindericos. E a grande culpada, a meu ver, é a Drª Maria Alzira.

Não gosto de personalizar as questões, mas nem sempre isso é possível.

Afinal as decisões têm rostos, sempre ... e é indissociável dessas decisões os comportamentos de quem as toma e nos faz passar por idiotas inúteis.

Tenham um resto de bom dia.

Vítor Manuel Coelho da Silva

Anónimo disse...

O VMCS foi o único internauta e "jornalista" que apoiou de imediato a reconstrução da casa açores, quando se soube que a camara tinha candidatado as obras ao subsidio do governo. Mais ninguém o fez. Eu li.

Anónimo disse...

Até parece que é só o Vmcs que se insurge contra estas atitudes prepotentes.

pm disse...

Caro VMCS,
Não mudei de opinião, continuo a defender a idéia de que no Largo das Eiras não deve ser construído qualquer edifício, e até partilho da polémica idéia de um projecto elaborado pelo Arqº Siza Vieira (caso ele o aceitasse).
Seria Oiro sobre Azul.

Também concordo que o "segredo" com que estes assuntos têm sido tratados em nada beneficia Minde, e que tem havido muita falta de transparência, com a cumplicidade de algumas colectividades mindericas.

Apenas comentei que, no caso específico da adjudicação destas obras dos museus, não devemos atribuir responsabilidades a terceiros, e que os únicos responsáveis são os gestores da CMA, que apenas estão interessados em construir o museu da pele, e, por questões eleitorais, nos "fazem o favor" de recuperar a Casa Açores, gastando uma bagatela em relação ao tal museu da pele.

Um abraço,
PM

Vitor Manuel Coelho da Silva disse...

Pedro

Eu estive os primeiros 10 anos na Comissão da Zona Desportiva e sei como tivemos de batalhar para que não nos boicotassem aquilo que se pretendia. Pagámos terrenos do n/ bolso, fizeram-se projectos, com a ajuda de muita gente.

Nenhum Presidente da Câmara conseguiu desmotivar-nos dos objectivos, e vê como ficou a Zona Desportiva.

Não nos quebraram! Os que continuaram depois de eu sair também não quebraram. Honra ao Sr. Luís Nascimento Silva e outros colegas que nunca deixaram que o projecto caísse!

Com todas as vicissitudes e com a colaboração de muitos Mindericos temos a Zona Desportiva com equipamentos espectaculares.

Obra de muitos, obra da vontade, obra da insistência, obra de nunca baixar os braços, obra da reinvidicação!

É isso o que se espera de uma direcção responsável. Não quebrar, não andar às escondidas, não querer prédios onde os Mindericos não querem! Não aceitar mini-museus!

E por ora, basta. Voltaremos mais vezes ao assunto.

Não deixemos que apouquem a nossa terra, é só isso!

Um abraço

Vítor anuel Coelho da Silva