06 abril, 2007

Sobre o Museu, Ficamos a Saber

Já tinha sido aqui abordado esta matéria, e a importância que o Museu da Aguarela está a merecer por parte da CMA.
O Sr. Agostinho Nogueira também achou o assunto relevante e escreveu na última edição do Jornal de Minde :


Ficamos a Saber
"O jornal O MIRANTE na sua edição de 21/3 traz a notícia, que foi dada em reunião da Câmara Municipal de Alcanena.

- Foram 60 as candidaturas ao programa de apoios financeiros promovido pelo Ministério da Cultura, entre as quais dois museus no concelho de Alcanena – o Museu do Curtume e o Museu da Aguarela – Roque Gameiro.
- A Comissão de Avaliação seleccionou 14 destas 60 candidaturas e entre as 14 estavam os dois museus para Alcanena.
- Das 14 candidaturas seleccionadas só 8 serão comparticipadas, ficando as restantes seis na posição de suplentes. Nessa lista de suplentes o Museu do Curtume ocupa o 4º lugar e o Museu da Aguarela – Roque Gameiro o 5º. Só poderão vir a avançar se, por desistências, chegar a sua vez.

A Câmara diz ter uma solução alternativa. Se não for através do Programa Operacional da Cultura, o Executivo vai tentar fundos para os seus dois museus através do QREN – Quadro Referência de Estratégia Nacional com ajudas financeiras dos fundos comunitários. Pena é que esses programas de candidatura só devam ser lançados no início de 2008.

Ficamos ainda a saber que o investimento estimado para o Museu do Curtume é da ordem dos 1.556.500 Euros. Comparado com ele o Museu da Aguarela – Roque Gameiro custa uma bagatela - menos de um terço dessa importância – 500 mil Euros.
A verba para o Museu do Curtume não é redonda, o que significa que foi calculada. Ao contrário, a verba para o Museu da Aguarela é redondinha, o que significa que é apenas estimativa.

Tem-se a impressão de que batemos no fundo do poço!
Como é que é possível meter no mesmo saco o museu Roque Gameiro (Museu da Aguarela até parece diminuir a importância do nome), uma instituição com mais de 30 anos de existência legal e personalidade jurídica, museu dedicado à arte de uma personalidade de renome, metê-lo no mesmo saco, dizíamos, com um hipotético museu de técnicas e produtos artesanais ligados a um ramo de indústria local?

- O que diriam os mindericos dos anos 70, os que inauguraram o Museu Roque Gameiro, se soubessem que, trinta anos mais tarde, o seu Museu ia ser preterido perante um hipotético Museu do Curtume?

- Alguns estão aí vivos. Não terão nada a dizer?

- Quem é responsável e a quem compete a promoção e defesa do nome e do património da instituição Museu Roque Gameiro, opondo-se a este tipo de soluções de algibeira, denunciadoras de falta de critério e de apreço pela cultura que se procurou valorizar na segunda metade do século passado?

- Alguém aceita que a importância da instituição Museu Roque Gameiro passe a confinar-se ao âmbito de uma instituição escolar com programas de aulas e de disciplinas, por mais válida e digna de apreço que seja a actividade dessa instituição, e o resto não passe de uma hipótese de museu que, à mistura com outras hipóteses de museus, foi introduzida na confusão das promessas eleitorais?
"
A. Nogueira




COMENTÁRIO :

Sublinho e assino por baixo cada frase e cada palavra do Sr. Agostinho Nogueira.
O silêncio da CMA sobre esta e outras matérias tem sido muito, mas o tempo tudo acaba por esclarecer. A notícia de que os Museus da Aguarela e do Curtume viram as candidaturas a fundos do Ministério Cultura ficarem na gaveta, despoletou o assunto e ficámos a saber o grau de importância que oficialmente a CM Alcanena dá ao Museu da Aguarela (Roque Gameiro).

Ficamos esclarecidos que o Museu do Curtume é prioritário para a CMA e que este custa três vezes mais que o Museu da Aguarela.
Fazendo contas, concluímos que as duas obras custam cerca de 2 milhões de euros, e, pela ordem das prioridades, será necessário que a CMA arrange essa quantia para que Minde venha a ter o nosso museuzinho da aguarela, que custa 1/4 desse valor.

As candidaturas a fundos nacionais ou comunitários, para serem aprovadas, têm de ter projectos sólidos e bem elaborados. A CMA viu relegado para a posição de suplentes (4ª e 5ª) as suas candidaturas para os museus do concelho, o que não será de admirar. Senão, vejamos:
- Perante o Ministério da Cultura, apresentar como cadidatura prioritária (até no valor) um museu de uma indústria local em detrimento do um museu ao maior aguarelista português é um perfeito absurdo e um erro grande de estratégia. Revela logo, perante quem aprecia, que não se está perante um objectivo cultural, mas sim político.
Teoricamente, a candidatura do Museu Roque Gameiro até deveria somar vantagens. Teve existência antecedente. Oferece espólio próprio exposto provisóriamente noutros museus. Dispõe de um local digno cuja edificação patrimonial urge recuperar. E se isto não chegasse, bastava juntar-lhe o nome de Roque Gameiro.

Mais grave será "ler " e descurtinar as verdadeiras intenções de como a CMA desejava conduzir este processo.
- Ao apresentar estas duas candidaturas em simultâneo, e do modo como foram apresentadas - "Queremos o grande Museu do Curtume, e depois também queremos um museusito lá para outra terra do concelho" (mais ou menos isto), leva-nos para um racíocinio lógico que, dificilmente, o Ministério da Cultura aprovaria os dois projectos do mesmo concelho, em simultâneo. A crise é grande, e recordo que só foram aprovados oito projectos no contexto nacional.
- Terá sido este o raciocínio dos gestores autarcas? Não me admira. É raciocíno barato, mas bem admissível. Com duas canditaturas reforçavam a posição no MC, o Museu do Curtume seria aprovado e financiado (até 43%), e ainda havia a desculpa para que o Museu da Aguarela ficasse em stand by, tendo sido até o Ministério da Cultura que tinha entendido assim. Seria esta a estratégia ?

Não sei. Estou é de acordo com o Sr. Agostinho Nogueira, quando escreve:
«Tem-se a impressão que batemos no fundo do poço.»
PM

6 comentários:

Carlos disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Carlos disse...
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Carlos disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse...

Isto é uma vergonha!

Os responsáveis por isto têm de dar a cara e assumir. Ou são homens, ou são reles cobardes.

O Sr. Fresco concorda com isto? E o Sr. antónio branco? e o Sr. joão josé? E o sr. carlos achega? E o caorg, a sra. d. alzira o o sr. vítor coelho da silva?

Isto são pessoas que têm de confrontar os responsáveis por uma das maiores vergonha minderica dos últimos 20 anos e que, mais uma vez, vai passar mais ou menos despercebida...

E ainda perguntam qualq utilidade de blogs e portais na internet. Se não fossem estes, isto nunca se teria descoberto!!

Venham muitos mais.

pm disse...

Não tenho nada contra os comentários anónimos, senão bloqueava o opção. Mas, também entendo que uma discussão séria e participativa dos assuntos só poderá ganhar credibilidade e alguma utilidade quando optar-mos por assinar os comentários. Contudo, a opção é livre, e cada um deve continuar a fazer como entender.

O que eu tentarei evitar é que o anonimato seja usado para ofender terceiros. Entendo que isso é um acto cobardolas de baixo nível, que dispenso nestas páginas.
É esse o motivo que me levou e eliminar o mesmo comentário três vezes repetido o ofensivo a terceiros.
PM

Anónimo disse...

Não li os comentários, mas se os mesmos eram ofensivos acho bem terem sido apagados. Os blogues não devem ser usados para veíulos de ofensa barata e anónima.

É claro que é grave e com contornos muito obscuros o modo como a Câmara está a lidar com este assunto.
Depois de nos iludir com promessas faz-nos perder o apoio do Ministério da Cultura. Só loucos e gestores incompetentes canditariam as duas obras ao mesmo tempo e com o Museu da Aguarela em 2º plano. Até o nome ridicularizaram para ficar ao nível do Museu do Cortume.

Como é possível que o CAORG tenha aceitado tal designação ?

É mesmo vontade de não mexerem uma palha.