No último fim de semana de Novembro desloquei-me a Minde e tive de fazer esta estrada 4 vezes. No Domingo à noite ainda ponderei entrar pelo nó de Torres Novas mas, inconscientemente, fiz a estrada do costume no regresso a Aveiro. Penso ter sido a última vez a efectuar o percurso porque existe o risco sério de ter um furo (sendo minimalista) e o meu carro já é um dos que NÃO TRAZ roda sobresselente.

Mas depois de ultrapassar o Vale Alto tive a ideia de ligar os faróis de nevoeiro para ver melhor os buracos. E assim fui. Chego à rotunda do cruzamento para Torres Novas e um agente da Guarda Nacional Republica (GNR) manda-me parar:
«
O senhor porque leva os faróis de nevoeiro ligados? Encontrou nevoeiro? Olhe que o tempo está límpido!»
«
Não, Sr Guarda», retorqui eu, «
liguei-os porque venho de Minde, a estrada está péssima, é de noite e assim via os buracos melhor».
O Sr. Guarda inspeccionou os meus documentos, deu a volta ao carro, quis ver os coletes, queria ver se tinha o triângulo mas desistiu quando viu todas as coisas que ocupavam a mala e avisou-me:
«
Só se usam os faróis de nevoeiro quando há nevoeiro, olhe que a multa é de 60 euros, vá andando, por agora passa. Boa viagem até Aveiro!»
Desta vez «escapei». Já sabem, não podem ligar os faróis de nevoeiro para terem mais visão dos buracos existentes e a evitar.
Acabei de visualizar as actas e, verdade seja dita, um dos vereadores de Minde -
António Laurentino de Cunha Menezes - tem vindo ao longo deste ano a chamar a atenção da Câmara para o estado lastimável desta estrada, que é a alternativa de entrada/saída de Fátima pelo sul. Assim o fez em Abril, repetiu em Junho e agora em Novembro. Isto porque a estrada é municipal (já não é nacional) e a sua manutenção é da competência do município.
O Senhor Presidente da Câmara remete a solução para a EP-Estradas de Portugal, argumentando que «
aquela estrada tem sido utilizada por todo o transito relacionado com as obras de alargamento da Auto-Estrada». Ora aqui permitam-me discordar do Sr. Presidente da Câmara:
1. As obras de alargamento da Auto-Estrada estão situadas no troço Santarém-Torres Novas e não no troço Torres Novas-Fátima. Auscultei várias pessoas que utilizam essa estrada frequentemente e nunca viram nenhum camião pertencente a essas obras a circular na estrada Minde-Fátima.
2. Mesmo que tal suceda, a responsabilidade das obras não poderá ser imputada à empresa «Estradas de Portugal» mas sim à Brisa ou, mais concretamente, ao empreiteiro responsável pelas obras.
3. Por alguma razão, o Município indemnizou uma cidadã que teve um acidente em 17 de Novembro de 2006, por a sua viatura ter caído num buraco, não sinalizado, no lugar de Vale Alto, tendo o perito inquiridor concluído:
«
Sendo a estrada municipal, competia à Câmara zelar pela sua boa conservação. No caso concreto, face à existência de um buraco, na via, de razoáveis dimensões, deveria o local estar sinalizado, o que não aconteceu. Há pois, culpa por parte da Câmara Municipal de Alcanena. O facto é ilícito (omissão de um dever geral de cuidado). Há prejuízos e há nexo de causalidade entre estes e a conduta omissiva, por parte da Câmara de Alcanena e dos agentes»
Pelo menos a Câmara paga, se sofrerem um acidente semelhante. Por acaso não tem chovido muito. E quando a estrada estiver alagada e não se virem os buracos, nem com faróis de nevoeiro?
Sr. Presidente, tenha dó. Eu por mim, passo a utilizar o nó de Torres Novas, à custa de mais dinheiro pago em portagens e em combustível. Mas anulo o risco de um acidente devido às condições impróprias da ligação mais curta.