Há quatro anos atrás, surgiu em Alcanena um projecto constituído por um Blog designado Pensar Alcanena, com a seguinte auto-descrição:
«PENSAR ALCANENA ! Blog mantido por municipes de varias sensibilidades, com a finalidade de PENSAR ALCANENA, ja que os neuronios disponiveis na autarquia sao quase nulos ! »
Tal como começou, passados uns meses, foi suspenso.
Foi lamentável, porque o mesmo era constituído por um grupo de ex-autarcas que prometia dinamizar a vida política do Concelho.
Dos poucos textos publicados seleccionei um, escrito pelo ex-presidente Carlos Cunha, sobre um futuro Parque de Negócios em Alcanena e extensível a Minde.

Terça-feira, Outubro 14, 2003
ALCANENA SEM PARQUE DE NEGÓCIOS PERDE DEFINITIVAMENTE A OPORTUNIDADE DE DESENVOLVIMENTO E MODERNIDADE.
(Texto da autoria de Carlos Cunha)
Há cerca de 3 anos, então detentor de responsabilidades públicas, participei activamente na criação de todas as condições para a construção de um Parque de Negócios em Alcanena, com alargamento futuro a Minde.
Estava reunido o capital necessário com a participação de empresários, a NERSANT estava no projecto e a autarquia apenas investia 2,5% de cerca de 17,5 milhões de Euros ( 3,5 milhões de contos), beneficiando-se, mais cedo ou mais tarde, de valores significativos de verbas comunitárias.
Lamento, mas não me surpreende, a notícia da autarquia de que “abandonava” o referido projecto. Em alternativa vem retomar o antiquado projecto da Zona Industrial.
Porém, não se disse ás pessoas, que a autarquia está totalmente só neste investimento. Nem podia ser doutra forma.
Qual é a diferença ?
A Zona Industrial compreende apenas a execução de um simples loteamento e a venda dos lotes industriais a quem quiser comprar á câmara. A autarquia compra o terreno, executa as infraestruturas de saneamento e energia e vende os lotes a preço sempre reduzido, onde outros vão especular comprando hoje barato para vender amanhã mais caro. Existe o risco de desaparecerem os lotes e não se construírem unidades industriais e comerciais não se criando novos empregos nem produzindo riqueza no concelho.
Este modelo está há muito ultrapassado e abandonado pelas autarquias de todo o distrito.
Hoje, a exemplo do que se faz na Europa, criam-se Parques de Negócios que são espaços modernos onde existem não apenas os lotes mas toda a espécie de infraestruturas logísticas, necessárias aos negócios como, parqueamentos, áreas de serviço, escritórios e edifícios para a criação de ninhos de empresas para apoio aos jovens empresários que querem ter a iniciativa de desenvolverem os seus projectos, unidades de restauração e alimentação, bancos, etc., etc.
Os investimentos nestes Parques “puxam” uns pelos outros e surgem rapidamente. Até porque, estando os próprios empresários a investir no Parque ( 97,5%), têm interesse em continuar a investir para rentabilizarem todo o projecto.
Isto faz parte do futuro e é um motor essencial para o desenvolvimento económico e social de um concelho.
É a partir de estruturas desta envergadura que por arrastamento se criam ciclos de investimento com mais postos de trabalho, fixação de população, novos comércios, mais habitação e assim o crescimento surge de forma sustentada e sem sobressaltos de depender apenas de uma industria.
Alcanena, através da autarquia deitou fora a oportunidade que outros souberam construir, simplesmente por falta de capacidade, diálogo e de estratégia de desenvolvimento.
Este erro trará consequências incalculáveis para o desenvolvimento do concelho.
A implementação do Parque de Negócios, inserido na rede distrital com os concelhos de T.Novas, Ourem/Fátima, Abrantes, Santarém, Rio Maior e Coruche, colocaria Alcanena no grupo da frente do distrito.
Muitos outros concelhos não conseguiram entrar no processo.
Alcanena, fica com MENOS E PIOR.
Carlos Cunha in Pensar Alcanena »»»(existem lá outros textos interessantes)
COMENTÁRIO:
Nunca votei no Eng. Carlos Cunha, mas, comparado com a actual gestão da CMA, tenho de concordar que o mesmo deixa saudades e tinha outra visão das coisas.
Passados já mais de meia-dúzia de anos desde a sua saída da CMA, a ZI de Alcanena não passa de uma idéia longíqua e a ZI de Minde não é mais do que uma parcela de um pobre loteamento industrial em início de construção e sem qualquer nexo, ou "ponta por onde se pegue".
Não sou contra a Zona Industrial de Minde, mas o modo como a mesma está a ser levada a efeito, não passa de um "Projecto Burrical" que em nada irá beneficiar Minde nem o Concelho, e apenas está a ser construída por questões eleitoralistas. É mais uma "merdex" do tipo que foi a "reconversão urbana de Minde", e dinheiro deitado à rua (ou ao bolso de alguns empreiteiros).
As palavras do Engº Carlos Cunha para o Parque de Alcanena aplicam-se integralmente à ZI de Minde.